perto do coração selvagem


Domingo , 21 de Setembro


A DÁDIVA

GIBRAN KHALIL GIBRAN

 

VÓS POUCO DAIS  QUANDO DAIS DE VOSSAS POSSES. É QUANDO DERDES DE VÓS PRÓPRIOS, QUE REALMENTE DAIS.

HÁ OS QUE DÃO POUCO DO MUITO QUE POSSUEM, E FAZEM-NO PRARA SEREM ELOGIADOS, E SEU DESESJO SECRETO DESVALORIZA SEUS PRESENTES.

E HÁ OS QUE POUCO TÊM E DÃO-NO INTEIRAMENTE.

ESSES CONFIAM NA VIDA E NA GENEROSIDADE DA VIDA, E SEUS COFRES NUNCA SE ESVAZIAM.

E HÁ OS QUE DÃO COM ALEGRIA, E ESSA ALEGRIA É A SUA RECOMPENSA.

E HÁ OS QUE DÃO COM PENA, E ESSA PENA É SEU BATISMO.

E HÁ OS QUE DÃO SEM SENTIR PENA, NEM BUSCAR ALEGRIA E SEM PENSAR NA VIRTUDE.

DÃO COMO NO VALE , O MIRTO ESPALHA SUA FRAGRÂNCIA NO ESPAÇO.

PELAS MÃOS DE TAIS PESSOAS, DEUS FALA; E ATRAVÉS DE SEUS OLHOS ELE SORRIR PARA O MUNDO.

É BELO DAR QUANDO SOLICITADO; É MAIS BELO PORÉM, DAR SEM SER SOLICITADO, POR HAVER APENAS COMPREENDIDO;

E PARA OS GENEROSOS, PROCURAR QUEM RECEBERÁ É UMA ALEGRIA MAIOR AINDA QUE A DE DAR

E EXISTE ALGUMA COISA QUE POSSAIS CONSERVAR?

TUDO QUE POSSUIS SERÁ UM DIA DADO.

DAI AGORA, PORTANTO, PARA QUE A ÉPOCA DA DÁDIVA SEJA VOSSA E NÃO DE VOSSOS HERDEIROS.

 

Escrito por aldebaran às 10h04 PM
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Segunda-feira , 08 de Setembro


O silêncio na senzala

O silêncio na senzala


Nelson se insere numa tradição de pensadores que recusa o humanismo barato


NELSON RODRIGUES é um clássico, como todo clássico, é um espelho. Os "idiotas" não gostam dos clássicos. Preferem a moda, diria ele. Vê-lo como o "transgressor da hipocrisia da classe média" é vê-lo pela metade.
Eis o que quero dizer: ele seria varrido da vida intelectual hoje porque dos anos 70 pra cá as coisas pioraram muito entre nós. E imagine o leitor, que vivemos em tempos democráticos: a palavra "liberdade" enfeita nossa ética de coquetéis.
Aliás, como ele diz "a palavra liberdade já foi tão abusada por cretinos de todos os tipos que não deveria entrar em casa de família".
Nelson percebeu, em meio à asfixia grosseira da ditadura, uma outra forma de asfixia que se formava no horizonte: a repressão contra quem não partilha de certas idéias que em sua época já mostravam o rosto. Como afirma ele na "Cabra Vadia", "é necessário ser um ex-covarde" pra dizer o que ele diz em suas "confissões", agora completas com o lançamento do "Reacionário" pela editora Agir. No texto, suas repetições ganham a forma de personagens do cotidiano. Essas "confissões" narram a vitória dos idiotas sobre a experiência da agonia que é a inteligência. A tendência a condenar ao silêncio aqueles que discordam da unanimidade burra já é percebida por ele quando comenta os 70 anos do sociólogo Gilberto Freyre. Por recusar o manto do falso profeta Marx ("o marxismo desaparecerá em 15 minutos") e a mentirosa afirmação de "que somos todos iguais", Gilberto Freyre é condenado pelas "estagiárias de calcanhar sujo" e sua inteligência hippie. O que caracteriza o comportamento dessas "estagiárias" é afirmar que o jornalismo deve salvar o mundo, calando as vozes de quem elas não gostam. Na vida real só conversam com gente famosa, o resto, elas passam por cima com suas sandálias.
Essas "estagiárias", apesar de padecerem das mesmas misérias dos outros mortais (são inseguras, invejosas, solitárias), se julgam porta-vozes de um novo ser humano, com uma consciência social que recicla as paixões imundas dos velhos seres humanos, "que faz sexo com dignidade e respeito pelo outro".
A "esquerda festiva" que ele fala deu cria e hoje tenta inviabilizar qualquer tentativa de romper o ciclo do "silêncio na senzala". A causa dessa condenação ao silêncio, afora o puro autoritarismo de quem detém o comércio das idéias, é a simples vergonha do óbvio e ululante humano dentro da farsa.
As repetições maníacas de caricaturas invadem a leitura, nos transportando para um daqueles jantares de grã-finas, onde as amantes espirituais de Che Guevara suspiravam em um orgasmo libertário, misturando-se às freiras e padres de passeata, defensores da educação sexual para meninas de 4 anos de idade. "Sexo é como a vontade de beber um copo de água", dizia uma das freiras "pra frente".
Na escuridão da sua alma, nossa freirinha boba goza com a idéia de por o copo inteiro na boca e babar sobre ele. A normalização do sexo é a dissolução do sexo, sempre perigoso, delicioso, e muitas vezes banal. Lava-se o corpo, mas nunca o sexo.
Nelson percebe como é idiota a paixão pela saúde diante da vida. De lá pra cá, essas figuras se transformaram nos defensores do aborto legal sem culpa, do horror ao tabaco e ao álcool, e do sexo "político". A cultura se preparava então para se transformar no totalitarismo dos idiotas que recusam a dor que é ser um animal sem futuro. Ele se insere numa tradição de pensadores que recusa o humanismo barato. O "idiota" mente sobre os instintos que nos devoram para além da cartilha da saúde social. Sua crítica a "antimulher" revela seu olhar profético acerca da opressão exercida pelo feminismo exagerado que mata o amor.
Nelson era um "reacionário" em épocas de heróis. Heróis deviam sempre morrer jovens, como nos mitos, para evitar a vergonha. Não há dúvida que a ditadura matou e torturou. Isso não está em discussão. Ridículo é não enxergar que as ditaduras de esquerda também mataram, torturaram, humilharam, calaram milhares de seres humanos.
Tivéssemos nós caído em mãos de outras ditaduras, teríamos sangrado da mesma forma, com o risco de acordarmos numa grande Cuba.
A "vida como ela é" é triste na maior parte do tempo. Nelson Rodrigues é um clássico, narra o duro cotidiano da humanidade presa em uma natureza que une um espírito infinito a um animal abatido.

Escrito por aldebaran às 10h27 PM
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Quinta-feira , 31 de Julho


Universia Blogs. Seu espaço no Universia

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Escrito por aldebaran às 9h13 PM
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Domingo , 09 de Dezembro


Chelli casamento's




Solidão. Manhã de verão, que por mero acaso é domingo. Ontem Michelle casou. Não fui ao casamento na Igreja Matriz de Santo Antônio. Assisti a cerimônio do lado de fora. A dor da perda é grande...E ela estava tão linda. Olhos magníficos, pretos, contrastando com o branco do veú e grinalda. Noite quente em Jequié. Muita festa. Os evangélicos comemoravam com uma grande reunião o Dia da Bíblia, havia um outro show dessas bandas de axé, no JTC, e a programação natalina da prefietura enchia a Praça Rui Barbosa. Gente de várias idades e cores, belezas distintas, juvenis ou maduras Balzaquianas. Michele casou e daí. A dor no peito é imensa e daí? O tempo passa. Tudo bem. Sempre creditei no amor e continuo acreditando. Amar indistintamente o próximo. Amar a Deus acima de tudo. Amar e amar e amar...
O fato é que hoje esse sol macio de dezembro, interpolado com o silencio dominical e a doçura da brisa que vem do sul
faz-me acreditar no amanhã. Pergunto-me onde ficou aquele menino cheio de sonhos e alegrias. Porque sempre me boicoto. Porque jogo contra mim mesmo?
Viver é dificil. Entender a vida é complicado. Seguir sorrindo em meio a dor. SExo sem amor. Cantar a chuva que não cai. Sertão poético de um coração vazio. mas cheio, repleto de vivências indescritíveis. Alma que canta uma melodia não realizável mas cheia de paz. Paz de perdedores? Paz de perdedor. Ah! nem templos verdes no sertão seco, nem aquela igrejinha imaginária, rústica numa comunidade rural. Nem os cantos dos eternos pardais no quintal, nem o ruflar das palmeira inconstantes nem da murta florida; nem a incerteza do amanhã e do ontem, nada. Nada. Nada faz sentido ou tudo faz sentido, sei lá. Talvez seja efeito do vinho, talvez seja efeito da solidão voluntária, Talvez nem ahaja pardais nem verde nem palmeiras. Talvez tudo o que meus olhos contemplam são reflexos da minha vontade de ver. Existência inexistente. Melhor: única e exclusivamente realizada em meu pensamento. Pensar é estar doente dos olhos, já dizia Fernando Pessoa. Imaginar por certo é estar doente do coração. Imagino eu.
Minha alma já teve vontade de ser diferente. Ser igual. Ser normal. Quero construir mundos reais onde meu rio flua ricamente para o mar. Onde minhas flores de eterna primavera possam encher o jardim da existência de amores realizados. Não casuais. Sem medos. Sem recusas ou falsos moralismos adquiridos culturalmente. Religião. Religando o corpo e alma no desejo de não ser, não ter,nada possuir. Enfim a inconstância do acertos desvelados no momento fugaz.
Esse igual olhar sobre o objeto inerte sobre a cama. Michelle sobre a cama nua. Não sob lençóis macios. Irrevogável entrega. Pernas, braços bocas ofegantes e muita paixão. Delírio. Não é ela. Ângela me olha com sua pele morena tácita e sexualmente dominante. Se a alma é eloquente o corpo só precisa de prazer e isso me refaz do susto. Não vejo necessidade de tanto pensar e refletir sobre perdas e danos. Foi bom enquanto durou. Poderia ter sido melhor.
Mas uma taça, mas um olhar, mas um beijo. Impossível senhora Michelle? Posso muito bem me tronar o amante de Lady Chatterly. É a vida... ganha-se umas perde-se outras... Mas que vinho delicioso!

Escrito por aldebaran às 10h56 AM
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Sábado , 23 de Junho


Dia de São João. A cidade está em festa. Muitq gente de fora vem passar o feriado aqui. A chuva fina cai sem parar. A casa cheia de gente e muita algazarra. O cheiro bom de milho cozido. O gosta macio de canjica. Muitas festas em minha memória. São João, o da bíblia era avesso a festas e algazarras pois era um eremita que vivia no deserto e segundo os evangelistas só comia gafanhoto e mel. Não sei como essa festa aqui em terras brasileiras se tornou tão pagã. O licor e seus vários sabores tem sido a principal bebida da festa. Enfim o tempo passa e vai a cada dia tudo vai mudando. A festa que era caipira se tronou uma indústria. O forró que era uma festa familiar passou a ser estruturado como um grande e lucrativo evento. Forró da Margarida, Forró do Namoral, Forró do Bode. Festas fechadas e de preço suficiente caro. Enfim uma estrutura de camarotes e palcos imensos no centro da cidade com bandas e grupos patrocinados pela prefeitura a preço de ouro para todos os gostos. Tudo muda e nada tem haver mais com aquela festa da "roça". Espontânea e simples. Natural e bela. Hoje, sofisticada e grandiosa.

     Nos tempos de aquecimento global e escândalos em Brasília, de notícias que chegam em tempo real a qualquer parte do mundo, sinto-me de certa forma uma nostalgia da época que o interior possuía ainda um ar de inocência e tranquilidade. Sem drogas, sem violência, sem grandes questões morais ou espirituais. Bem... por hoje chega, chega de saudosismo.

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por aldebaran às 8h33 AM
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Sexta-feira , 01 de Junho


FELICIDADES

Acordar bem cedo liberto

Ter certeza da beleza do vento

sentir o perfume sereno do canto dos pardais,

perder-se na desventura da esperança.

Tudo flui como um rio noturno,

como uma brilhante fonte de águas térmicas.

Eterno amor de primavera

juvenis indo para a escola, operários para a fábrica

homens máquinas e crianças reprodutoras

da ciência bélica.

acadêmicos de todo o mundo unì-vos!

Nós queremos destruí-los de uma vez só!

Todos juntos, sim todos vocês com suas teorias

de fome e miséria para muitos,

riqueza e fartura para poucos.

O vapor quente do café.

O céu sereno do outono.

Palavras na mente e o coração.

Semiótica sem lógica.

Caledóscópio poético.

 

Escrito por aldebaran às 5h18 AM
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Sábado , 24 de Fevereiro


    ANTENADOS

Tempo cultura e espaço

Características da sociedade:

desigualdades sociais (renda); grafo-centrismo (letramento); Constituição legal XConstituição real; minoria dominante (aparelho ideológico impondo idéis e normas)

                                    EDUCAÇÃO

          A educação a depender da concepção que tenha o professor  a respeito da sociedade e do homem ela terá duas projeções:

- Como função controladora do Estado (no sentido tradicional, reproduzindo idéias da classe dominante);

ou como função transformadora (prática centrada no aluno (respeita sua identidade sua individualidade e o tempo de aprendizado, educa para o exercício pleno da cidadania.

                                                                   O QUE É FUNDAMENTAL PARA DIRECIONAR A EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA?

- Identificar os vetores que convergem para o processo ensino-aprendizagem e caracterizá-los numa concepção progressista:

Professor-aluno-objeto de estudo-

                                                                CARACTERIZANDO OS VETORES

Ambiente - processo - família

organização- disciplina - diálogo

dinâmica curricular.

                                                            CONTEÚDOS- COMO SÃO PROPOSTOS?

          FRAGMENTADO OU INTERDISCIPLINAR?

Avaliação: ênfase/processo/diagnóstico/produto/nota.

desenvolvimento do processo: Acontece de foram prazerosa, siginificatica e contextualizada.

                                             COMO CIRCULA A INFORMAÇÃO NA SALA DE AULA?

        professor tem poder? É o dono da verdade?

         Sabe a finalidade da educação?

        Possui competência tecnico-científica?

        Como concebe o erro?

        Sabe como o aluno aprende?

 

       

Escrito por aldebaran às 4h54 PM
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Domingo , 14 de Janeiro


Formatura de Ariel

Quem diria que esse menino q nasceu prematuro com menos de dois quilos, se tornaria um homem. foi um campeão desde oo primeiros dias. De uma vontade de viver imensa. Uma personalidade decidida e forte. Sempre pronta a enfrentar tudo e todos.Cresceu aprontando todas. Desde jogar pedra na casa do vizinho á matar aulas para jogar futebol. As queixas eram muitas e diversas vezes tivemos que tapear nossos vizinhos com desculpas esfarrapadas. mas eis que ele cresceu e se toornou isso aí. Um jovem disciplinado e cheio de vontade de viver e realizar os seus sonhos! só posso repetir aquelas velhas palavras de W.Shakespeare "Desejo-lhe toda felicidade que você possa desejar".

Escrito por aldebaran às 8h23 PM
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Segunda-feira , 25 de Dezembro


 25 de dezembro. É natal, não consigo me lembrar de algo bom que me faça esquecer a dor da perda. Meu velhinho se foi... Meu velho pai parte para a eternidade depois de sofrer durante 25 dias numa cama. Caiu dentro de casa e fraturou o colo do fêmur. a idade de oitenta e oito anos o impedia de operá-lo, e não pudemos fazer nada. nos últimos dias já não falava, e no dia de seu falecimento se recusou totalmente a comer, sentimos muito sua perda mais... É a vida... Sinto cansado, agora terei de me virar, seguir meu  caminho com a dor e a saudade desse grande amigo e companheiro que foi meu pai, Osvaldo José de Oliveira *18/06/1918 + 21/12/2006

Escrito por aldebaran às 8h10 PM
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Domingo , 13 de Agosto


Folha Online: A Gramática Universal

A seguinte notícia da Folha Online (www.folha.com.br) foi enviada para você por
paulo oliveira (p-silva-oliveira@uol.com.br).

Clique no link abaixo para ler o texto completo:

A Gramática Universal
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult510u255.shtml

Comentário: interessante artigo sobre linguística.

Folha Online
http://www.folha.com.br/


Escrito por paulo aldebaran às 4h01 PM
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Domingo , 16 de Julho


Depois de um momento de serenidade, volta a tempestade. Tudo tem sido assim desde que foste embora. Decididamente não sei viver sem você. Não sei sorrir sem você do meu lado. Não sei cantar nem tocar meu piano sem você para me escutar. Sinto falta do teu sorriso, do teu perfume, da tua risada, do teu olhar. O noticiario da televisão me entedia. O filme me da sono, a música que toca no rádio só  traz nostalgia e tristeza. Preciso e tenho que me recuperar. tenho que superar isso mas por enquanto estou assim, triste deprimido, fraco. Não tenho medo do futuro, não tenho medo da solidão. Tenho certeza que vou superar mais essa. Sei, eu sei que sou confuso, que estou confuso. Mas tenho uma certeza!Eu hei de vencer a dor e voltarei a ser feliz!

Escrito por paulo aldebaran às 8h00 PM
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Domingo , 25 de Junho


            Sentiu mais uma vez vontade de voltar para casa, saudade da cama macia, do cheiro gostoso que vinha da cozinha, do carinho irrestrito da mãe, do sorriso lindo de Betty. Saudade dos livros, dos discos, das revistas e do conforto que só um lar pode dar. Temia apenas o olhar duro do pai, sempre tão puritano, sempre tão cheio de razão, sempre pronto a repreendê-lo por causa da sua opção. Sim. sabia que voltar seria ouvir os mesmos conselhos concensciosos do pai. Tal o filho pródigo continuava a sofrer as consequências da sua escolha sem dar muita importância ao futuro. Jamais conseguiria ficar sentado a vida toda atrás de uma mesa numa repartição pública qualquer como o velho Adamastor, seu pai. Queria correr o mundo, seguir em frente, não importa como mais queria a liberdade, a aventura, o descconhecido e por isso saiu de casa. Por isso corria o mundo.

 

       Agora que estava terminando mais um dia de trabalho temporário como ajudante de cozinha num restaurante a beira-mar, em Porto Seguro, Bahia onde havia chegado a pouco mais de um mês, seguia para o albergue da juventude que se hospedara para descansar um pouco pois queria ainda hoje sair com seus novos amigos que encontrara aqui: um argentino chamado Victor, uma italiana Isabelle e dois mineiros ângela e Flávio que estudavam em Minas e estavam passando as férias em Porto Seguro pela quarta vez seguida. O calor desse final de tarde o fazia suar como nunca, ele que vinha da região sul, onde os verões eram muito mais amenos. Por um momento parou para ver o espetáculo do entardecer em Porto Seguro e se lembrou de uma canção de Toquinho que falava numa certa tarde em Itapoã com coqueiros, mar e vento soprando.

     Mas de repente ver seus pensamentos interrompidos pela voz melodiosa de Dina, morena, cravo e canela, voz de cantora de jazz americana. Com um sorriso branco tal de uma modelo de comercial de creme dental, um vestido de algodão curto, sensual, transparente esvoaçando ao vento teimoso, mesmo vento que rebatia as palhas dos coqueiros e refrescava esta bela tarde na Bahia.

- Oi Charles, como vai? disse ela.

- olá - respondeu- você vai hoje na passarela do álcool? Ontem te procurei e não te encontrei em lugar nenhum.

- Por que não ligou pra o meu celular? - perguntou ela- com um sotaque adocicado e macio dos baianos.

- É que estou sem crédito no meu - respondeu.

    Por algum momento seguiram lado a lado em silêncio. Ela de repente quebra o sílêncio falando sobre a noite de sábado quando se encontraram na mesma passarela do álcool. Ele estava acompanhado de uma gringa.

- É uma italiana, Isabelle. chegou aqui na terça, veio de Salvador onde passou quase um mês e pretende ficar aqui até domingo quando pega um avião para o Rio de Janeiro.

- Então... A gente se vê á noite? perguntou faceira... quase tímida.

- Claro! Que tal na barraca do francês?

     Agora seguia outra vez só. a lua já despontava sobre o mar, que aos poucos se tingia de um azul escuro refletindo-a em todo sem esplendor. Lembou-se de uma gravura que viu em várias casas aqui na Bahia de uma mulher que caminhava sobre as  águas numa noite de lua cheia. Mais uma vez a saudade de casa. Iria ligar para mãe dizer que estava bem, que a Bahia era linda, só não diria que estava com saudade, jamais daria o braço a torcer. Decidiu sair e pronto. A vida era essa praia, esse mar, essas ondas, esse vento ...enfim o momento presente e pronto. Não queria pensar no futuro, no seguro nos velhos conceitos do pai. O que mais doía não era os desentimentos com o velho, mais olhar de censura dele, aquele olhar silenciosa era terrível, como se ver livre daquele olhar se até de tão longe ainda o perseguia.

Escrito por paulo aldebaran às 8h03 PM
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Domingo , 14 de Maio


mais um final de semana. Desta vez dias das mães. lembro-me da minha saudosa mãe que partiu para uma outra diemnsão há 18 anos. Aida, batalhadora até os últimos momentos aqui. mãe de oito filhos, lavadeira, cozinheira de mão cheia, extremada em tudo qeu fazia. Me legou principalmente a garra, a vontade de vencer sempre e nunca esmorecer independente de toda e qualquer cirncunstância.Nasceu em Aamrgosa no ano de 1926 num dia de sábado 20 de novembro; ainda criança ficou orfã e teve que vir morar com uma tia em jequié, ela e seus dois irmãos, depois de muitos maltraos na casa daquela tia, os irmãos fugiram e sumiram no mundo. Nunca mais os reencontrou. A tia que os adotou era alcóolica e fazia dela de escrava além de bater por qulaquer coisa. Cresceu. Noivou e casou com Osvaldo, um jovem padeiro que vinha de uma família envolvida com a macumbaria. fugitivos da seca, vieram de Mairi, ele, sua mãe maria Luiza, as irmãs Dalva e Julieta. Ao chegar em Ipiaú, Maria Luiza emgravidou de um homem branco José Chequer com quem teve um filho Edésio Chequer. Ao se mudarem para Jequié se tronaram protestantes através de um missionário presbiteriano Dr. Ferreira. A família passou então a residir na rua das pedrinhas atual magno senhorinho, no bairro do jequiezinho. Osvaldo, após o casamentocomprou uma casa na rua perpétuo socorro, onde vive até hoje, minha vó veio a alecer em 85 aos 85 anos, e eu aqui hoje em pelno domingo relembrando as histórias que minha mãe me contou...

Escrito por paulo aldebaran às 10h06 PM
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Sábado , 15 de Abril


Sábado de Aleluia é um desses dias de sol e calor onde a chuva vespertina vem fechar o dia. Todo ano é assim. Feriado. sexta-feira todo mundo reunido em família e um preguiçoso sábado à sombra de um coqueiro tomando caldo de cana e ouvindo histórias dos antigos, dos tempos que não voltam mais. hoje lembrei-me da história de Vitória, também conhecida de comadre Vitória, quando eu era criança ele era uma velha centenária e nos contava com sua voz arrastada os contos do tempo do Coronel João Borges um dos fundadores de jequié. Homem forte e valente como muitos que já viveram nesta região, nos tempos que a lei era representada pela força dos coronéis que comandavam a terra. Mesmo porque a maior parte das terras eram deles. O coronel contava a velha possuia uma boa centena de cabeça de gado e tinha de transportá-lo para Feira de Santana e para isso escolhia seus ,melhores peões para essa tarefa. Toda a jornada era feita em cima do lombo dos cavalos. naquela época ainda não havia as rodovias que hoje cortam o Brasil. João Borges designou o capataz da sua fazenda Provisão a terefa de levar o gado que ele tinha vendido antecipadamente . E Martim Cambraia e sua tropa partiu para viajem que duraria no mínimo 15 dias. No meio do caminho encontraram-se com o bando de Corisco, um cangaceiro que assaltava fazendas no sertão e assolava várias pequenas cidades sem deixar nenhuma casa intacta. Os homens de Martim Cambraia atiraram para valer e o tiroteio durou a noite toda. Apenas um voltou para contar ao coromel do trágico encontro. O coronel então arregimentou a polícia da região e partiu em busca do seu gado e os encontrou nas cercanias de milagres, lá foi ajudado por tropas da polícia vinda de Feira de Santana e Salvador ao cabo de tr~es dias de perseguição e luta feroz o bando sucumbiu sendo que alguns foram presos, Corisco conseguiu fugir mas o Coronel recuperou o gado e vingou seus homens trazendo todos os que estavam vivos ainda de volta para jequié.

Escrito por paulo aldebaran às 4h05 PM
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Domingo , 09 de Abril


Domingo. Tarde tranquila.Fresca, nesse mês preguiçoso de abril. Chove sempre o que é uma beñção para nossa terra. Onde as chuvas são raras e o calor intenso. Passei na casa de Martha hoje a tarde para ver sua filhinha recem-nascida que ainda não tinha visto. Linda, como a mãe, olhos negros talvez marinhos não tem ainda uma cor definida. Maria também estava lá com seus olhos perolados e voz de cantora de jazz, rouca e rasgante sei lá, toda vez que a ouço  lembro-me de uma cantora de jazz que vi num filme de Hollywood. Quem é o pai? não sei.Também não perguntei, que importância tem, enfim mãe solteira é uma coisa tão comum hoje em dia. Luzia liga para o meu celular querendo em ver hoje a noite. Respondo qualquer coisa meio indeciso... nem sim nem não. Não sei se quero sair hoje a noite. Ás vezes curto um pouco a solidão. É preciso dar um balanço em minha vida e positivamente mais do que nunca isso está sendo necessário... Minha timidez mais uma vez se faz sentir e sinto-me como se tivesse regredido, sinto como uma roda de moinho que roda, roda e nunca sia de lugar. Enfim... só o fato de perceber isso já é meio caminho andado para não descer ainda mais no abismo dz timidez. Sempre lutei, sempre venci e agora não será diferente. Encontrei Débora, menina linda, uma universitária que cursa enfermagem, cristã, devota, de uma pureza e simplicidade que me comove. A encontrei no retorno para casa e ela me falou das maravilhas da vida Cristã e como é bom ter comunhão com outros irmãos, e que a igreja que ela frequenta é um lugar maravilhoso, de companherismo e amizade. Chegou até a me convidar para fazer uma visita a eles. Como sempre prometi vaamente que ia "qualquer dias desses". Pensando bem até que estou precisando disso. Ter uma visão diferente da vida, ter esse olhar voltado para uma outra dimensão como eles têm. Enfim vou cehgando ao fim de mais um fim de smeana e preciso agora descansar. Como diria o poeta " preciso aprender a ser só".

Escrito por paulo aldebaran às 10h42 PM
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BRASIL, Nordeste, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Livros, Esportes
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